7/16/2009

e o tempo fosse uma roleta..
Que pudesse girar pra um lado e para o outro, obter num mesmo ponto dois momentos diferentes. Passado e futuro. Se girasse essa roleta e pudesse nortear tantas coisas, toda essa sucessão de conseqüências que o presente é.
Teria, num giro, segurado impulsos, abstido covardia, arrancado ervas daninhas, deixado intocáveis flores venenosas. Pois, em outro giro aprenderia que não só plantas saudáveis que frutificam, que não só os melhores perfumes que causam vícios.
Giraria poucas vezes a roleta. Se o tempo tivesse voltas como ela, percorreria de olhos vendados em muitas coisas que o caminho foi se abrindo entre espinhos e arco-íris. Mas as poucas vezes que giraria a roleta seria em todas em que eu, impaciente imprudente, abri calabouços de maravilhosos jardins secretos, porém nos quais encontrei ervas daninhas e flores venenosas.
Hoje, como pérolas, muita coisa deixou de ser um corpo invasor dentro de uma ostra. Calabouços continuam entreabertos. Jardins a florescerem... Hoje o outono tem ipês floridos, sol atrás da montanha. Porém também há crepúsculo e alvoradas, os quais roleta temporal alguma nunca me deixaram conhecer.
....
Quando saudade é uma queda em um penhasco. Quando todas as coisas pras quais se fechou as portas batem na soleira da consciência dia após dia. Quando há uma mordaça nos lábios pra queixas. Um sol que nasce e se põe como outrora sempre fez, mas que agora labuta como grãos de areia numa ampulheta. Não há mais o que esperar de pessoa/coisa alguma a não ser de si próprio. Desalimentar a nostalgia, degustar do tempo. Lamentar apenas por si mesmo e somente quando isso significar mudança. Há estrelas azuis e vermelhas, quentes e frias, e nenhuma estrela que se vê no céu é ‘viva’,
apenas vemos o brilho de estrelas que se perpetuam anos-luz a dentro do especo e que há muito já morreram. Uma escolha. Apenas escolhemos entre vermelho e azul, entre o que queremos ser e fazer, mesmo sabendo que objetivos e recompensas podem demorar anos-luz para aparecerem. Diariamente estrelas surgem e outras morrem, mas se são vistas nos céu é porque diariamente sua luz percorre o universo e chega na terra. Diariamente a terra gira em torno do sol. Diariamente as estrelas se propagam no céu – mesmo que não as vejamos com a mesma frequência, mesmo que não amanhecemos com a mesma
pontualidade, mesmo que não irradiemos luz com o mesmo vigor. O qual distante uma estrela brilhe, o qual longe se pode chegar (por escolhas e sonhos). Amanhã mais grãos de areia terão caído na finitude do tempo, mais apertados estarão as mordaças, mais a saudade continuará a cair em meio ao vão do infinito. Amanhã é o quando. Quando o sol surge e ofusca o brilho das estrelas, para que nós, corpos opacos no espaço físico, possamos refletir igualmente a luz do sol. Para
que nós também possamos construir raios e luzes próprios, que se irradiam no futuro de nossas vidas, não importando quantos anos-luz de dificuldades tenhamos que percorrer para isso. Nossas vidas são feitas de escolhas. Existem estrelas vermelhas e azuis.
13024100 - 30032009