O desejo de não ter que discutir mais pelos mesmos assuntos de sempre
De sair da velha lama impregnada na qual atiramos
Muito do que há de melhor de nós por comodismo ou oportunismo
Vertigem de chorar as mesmas lágrimas irresolutas
De sorrir os mesmos fios de esperança que amanhece diariamente nossas vidas
Escrever toda a ciência trivial
Desfiar da poesia e da filosofia tudo o que na prática é verdadeiramente útil.
Ahhh.. se com linhas e letras pudesse revelar tudo que sinto
Todos os sonhos que respiro, todas as percepções que me levam
Apesar de todas as contrariedades, a acreditar no ser humano
E fazer parte da humanidade com olhos de criança
Que mediante a vida, leva o seu olhar além da realidade
E idealiza um mundo diferente, um mundo mais humano
Vontade de escrever mesmo sem saber ao certo por onde começar a falar
E sabendo que independente de qualquer palavra escrita, é mais importante
O simples ato de escrever, do que o conteúdo escrito em si
Vertigem de dizer tudo que aprendi com erros e com acertos também.
Que sonhos são “a bússola do coração”,
Que amigos são anjos, que desafios são necessários para se crescer diante da vida
Não importando a ocasião, o jeito, o modo, há sempre duas maneiras de fazer as coisas
Duas maneiras de olhar as pessoas, que nem sempre fazer o correto é fazer o melhor
Dizer em linhas gerais que cresci, mas que isso não significa que me tornei perfeita
Porém cresci muito tentando me tornar assim
Falar que tive que deixar muitas coisas para trás por outras mais imperativas
Tentar mudar a percepção que se arrepender é errado. Não é.
Apenas deve-se agir para ter o menor possível de arrependimento.
Vontade de escrever que ainda há esperança
Que o amor, seja o fraterno, o próprio, o conjugal,
Ainda está vivo no coração humano – mesmo que imergido no coração de muitos
Dizer que há coisas pequenas na vida as quais algumas devemos dar mais valor e
outras as quais simplesmente não devemos relevar.
Falar que não dá para polir troféus empoeirados com tantos desafios janela à fora
Que nada vale mais que a vida, que se deve viver a vida no (e para o) plural – jamais no singular.
Que nada faz tanta diferença que uma pessoa, uma pessoa apenas
que contagie com solidariedade e alegria todo o mundo cinza a sua volta.
Ahh... são tantas as coisas que poderia falar, descrever como têm sido os últimos anos de minha vida. Dizer que obtive muitas vitórias, e muitas perdas também, mas que arrisquei em todas as vezes que julguei que valiam a pena. Que é preciso, na mesma que se arrisca, saber recuar - que não há nada como os sonhos, não há força maior do que sonhar.
Dizer que nunca precisei tanto perdoar, lavar o rosto tantas vezes envolto de lágrimas.
Dar tudo de mim quando julgava que seria incapaz de dar mais um passo se quer.
Queria poder resumir tudo que já escrevi em poucas palavras, mas acredito que mesmo o resumo de todas as palavras esboçadas daria um livro. Então finalizo dizendo que “fazer o bem faz bem”, que seguir em frente e acreditar em si é um convite diário, uma oportunidade que a vida nos traz. Que qualquer palavra dita pode despertar a veia de solidariedade que cada um traz consigo. Dizer que a vertigem de escrever nasce da vontade de ver e fazer um mundo melhor e diferente.
Que "sempre fica um resto de perfume na mão de quem dá flores"...